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Energia nuclear ganhou destaque no 2º Energia Nordeste

Na última sexta-feira (26), a Associação Comercial de Pernambuco (ACP) fez a capital pernambucana dar uma atenção especial para as fontes de energia, além da sustentabilidade no ramo. O evento 2º Energia Nordeste trouxe palestrantes de vários lugares do Brasil e autoridades nos diversos segmentos que rodeiam o tema central: “Tendências Energéticas e Sustentabilidade”.

O evento teve sua abertura por conta do Ministro Conselheiro da União Europeia (UE), no Brasil, Carlos Oliveira, que destacou o plano de descarbonização inserido nas políticas energéticas na Europa, e que em 2020 a já superou suas metas de emissões de gases poluentes a partir da geração por energias renováveis e da diversificação de sua matriz energética. Ainda segundo Oliveira, os biocombustíveis merecem uma atenção especial, e por isso a EU investe recursos importantes no desenvolvimento e pesquisa, não apenas para que não haja o comprometimento da produção alimentar, mas também para assegurar que não haja a concorrência dos espaços agrícolas, nem aumento dos preços.

Além das fontes consideradas “ecológicas”, como energias eólica e solar, aproveitamento de biomassa, e a produção de hidrogênio verde, sendo esta última ainda uma promessa, também foi discutida energia nuclear. O que chamou a atenção no evento foi o público qualificado, a organização sofisticada e o alto nível dos convidados. Estiveram presentes Carlos Mariz, pernambucano, presidente da Associação Brasileira de energia Nuclear (ABEN) e Celso Cunha, presidente da Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Assuntos Nucleares (ABDAN), além do deputado estadual Antônio Fernando (PSC), que é engenheiro nuclear de formação e entusiasta sobre o tema.

De acordo com Mariz, os dados da Word Nuclear Association, em 2019, retratam a realidade mundial do segmento como sendo: 444 usinas em operação, 54 usinas em construção, 111 usinas em aprovação e 330 usinas em planejamento. Neste momento, há duas usinas em construção no Japão, que, embora tendo havido aquele acidente, considera uma tecnologia segura. Esta informação ganha força com o fato de a Ucrânia possuir 15 usinas em operação, onde nove foram construídas após o acidente de Chernobyl. O caso da China é o que mais impressiona, pois para atingir as metas climáticas, construirá 150 usinas nucleares, com investimento de US$ 440 bilhões, destacou.

Foram mencionados posicionamentos internacionais, como o do climatologista James Hansen, que afirmou que a energia nuclear salvou 1,8 milhões de vidas até hoje, evitando o uso dos combustíveis fósseis. “Quando a energia nuclear é usada, em vez de energia fóssil, vidas são salvas”, afirmou o climatologista.

O assunto “usinas nucleares em Pernambuco” foi reavivado, com a recente decisão do Supremo Tribunal Federal, acerca da competência constitucional e exclusiva do governo federal para legislar sobre o assunto. Pernambuco tem um dos 40 sítios prospectados pela Eletronuclear, e Itacuruba/PE está entre os dois melhores sítios, em condições geológicas, para receber seis geradores nucleares, com capacidade de 6.600MW de capacidade instalada, investimentos estimados em US$ 30 bilhões (ou R$ 168,3 bilhões) e gerar entre 10.000 empregos durante a obra e 5.000 empregos durante a operação.

“Pernambuco vai se omitir diante da possibilidade de haver um investimento da ordem de 170 bilhões de reais? Temos Minas Gerais ao lado querendo que esta usina vá para lá. O Estado de Alagoas, com o sítio de Traipú-Penedo, aqui pertinho, não é tão bom quanto Pernambuco, mas se cochilarmos, eles passam na nossa frente. Temos que nos posicionar sobre o assunto, pois o estado necessita de investimentos desta ordem de grandeza, e investimento privado, para gerar emprego, renda e oportunidades. O assunto é sério e não tem a atenção devida”, conclui Mariz.

“Está na hora de os governos estaduais que desejarem ter este investimento no seu Estado se posicionarem, afinal cada usina nuclear tem um custo da ordem de US$5 bi. O debate promovido pela Associação foi extremamente oportuno neste momento”, pontuou Celson Cunha, presidente da Associação Brasileira de Desenvolvimento de Atividades Nucleares, também presente no momento.

A Associação Comercial de Pernambuco (ACP) é a mais antiga e a mais emblemática entidade associativa do setor empresarial de Pernambuco, tendo sido fundada em 1839, desde quando vem funcionando de forma ininterrupta no cumprimento de sua missão institucional de representar, defender e promover o fortalecimento do setor empresarial privado, bem como projetos, programas e políticas públicas de interesse do desenvolvimento econômico e social de Pernambuco e do Brasil.

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