Para Edson Braga, viajar não significa apenas conhecer novos destinos, mas ampliar repertório, confrontar convicções e descobrir possibilidades que dificilmente seriam percebidas permanecendo sempre no mesmo ambiente
Viajar costuma ser associado a descanso, lazer ou recompensa depois de um período intenso de trabalho.
Durante muitos anos, essa também foi a maneira como Edson José Bandeira Braga Filho, também conhecido como Edson Braga, enxergou a experiência de conhecer novos lugares.
Primeiro seria necessário trabalhar.
Produzir.
Construir.
Cumprir responsabilidades.
Alcançar resultados.
Depois, viajar.
Com o passar do tempo, entretanto, essa compreensão mudou.
Para Edson, viajar também pode ser uma forma de formação.
Uma oportunidade de ampliar repertório, confrontar certezas, observar outras maneiras de viver e recuperar uma capacidade fundamental para qualquer pessoa que pretende continuar crescendo: a curiosidade.
Mais do que percorrer distâncias, sair do lugar pode significar perceber que aquilo que considerávamos normal ou definitivo era apenas uma das muitas possibilidades existentes.
O lugar de onde observamos nunca representa o mundo inteiro
Cada pessoa cresce cercada por determinados hábitos, valores, culturas e maneiras de interpretar a realidade.
Aprendemos formas específicas de trabalhar.
Consumir.
Educar filhos.
Construir relacionamentos.
Liderar.
Administrar dinheiro.
Organizar empresas.
Ao conviver durante muitos anos com os mesmos padrões, existe um risco: transformar repetição em verdade.
Aquilo que observamos diariamente começa a parecer a única maneira possível de fazer determinada coisa.
Para Edson Braga, talvez uma das prisões mais difíceis de perceber seja justamente aquela na qual alguém se acostumou tanto com os limites que já não consegue enxergá-los como limites.
O conhecido oferece segurança.
Mas segurança excessiva também pode reduzir possibilidades.
O conforto pode começar a limitar o crescimento
Permanecer em ambientes familiares não é necessariamente um problema.
Raízes são importantes.
Relacionamentos duradouros também.
Conhecer profundamente determinado mercado pode gerar vantagens importantes.
Mas Edson José Bandeira Braga Filho chama atenção para o momento em que estabilidade começa a se transformar em limitação.
Conversar sempre com as mesmas pessoas.
Ouvir permanentemente as mesmas opiniões.
Frequentar os mesmos lugares.
Resolver problemas utilizando apenas soluções antigas.
Repetir estratégias porque funcionaram no passado.
Tudo isso pode criar a sensação de segurança enquanto, silenciosamente, diminui a capacidade de perceber mudanças.
Por isso, uma pergunta pode ser especialmente reveladora:
Quando foi a última vez que alguma experiência fez você rever uma certeza que carregava havia anos?
Crescer também significa descobrir que aquilo que sabíamos já não basta
Aprender algo novo é uma forma evidente de crescimento.
Mas Edson Braga considera que existe outra forma, muitas vezes mais difícil.
Reconhecer que determinado conhecimento deixou de ser suficiente.
Uma pessoa pode acumular experiência durante décadas e, justamente por isso, tornar-se excessivamente confiante em antigas respostas.
O desafio está em permitir que a experiência funcione como base para novas perguntas, e não como justificativa para interromper o aprendizado.
Para Edson José Bandeira Braga Filho, essa capacidade é especialmente importante para quem empreende e lidera.
Empresas podem envelhecer primeiro na cabeça de seus líderes
Uma organização não começa necessariamente a envelhecer quando seus números pioram.
Talvez o processo possa começar muito antes.
Quando seus líderes deixam de observar.
Quando deixam de visitar novos mercados.
Quando diminuem o contato com comportamentos diferentes.
Quando deixam de conversar com pessoas fora de seus círculos habituais.
Quando perdem curiosidade.
Quando a principal justificativa para determinada decisão passa a ser:
“Sempre fizemos assim.”
Para Edson Braga, poucas frases podem ser tão perigosas dentro de uma empresa.
O mercado não permanece parado.
Consumidores mudam.
Novas gerações chegam.
Tecnologias alteram comportamentos.
Concorrentes desenvolvem novas soluções.
Modelos antes considerados seguros podem perder relevância.
Enquanto tudo isso acontece, repetir indefinidamente aquilo que funcionou no passado pode deixar de ser experiência e passar a ser resistência.
Viajar também pode ampliar a visão empresarial
Uma viagem oferece inúmeros estímulos para quem preserva a capacidade de observar.
Um pequeno restaurante pode revelar uma maneira diferente de criar experiência para clientes.
Uma loja pode ensinar sobre atendimento.
Uma cidade pode apresentar soluções de mobilidade, organização ou convivência desconhecidas.
Uma conversa com alguém de outra cultura pode modificar a percepção sobre trabalho, dinheiro, família ou felicidade.
Para Edson José Bandeira Braga Filho, o aprendizado não acontece necessariamente porque aquilo que existe em outro lugar seja melhor.
O valor está em perceber que existem alternativas.
Quando alguém descobre que determinada coisa pode ser feita de outra maneira, amplia sua capacidade de escolher.
E isso possui enorme valor para quem empreende.
Liberdade também significa perceber possibilidades
Normalmente, liberdade é definida como a capacidade de escolher entre alternativas.
Mas existe uma questão anterior:
E quando sequer conseguimos perceber que existem alternativas?
Para Edson Braga, ampliar repertório aumenta justamente esse campo de possibilidades.
Uma pessoa pode acreditar durante anos que determinada maneira de trabalhar é inevitável.
Até observar outro modelo.
Pode imaginar que existe apenas uma forma de liderar.
Até conhecer uma organização estruturada de maneira diferente.
Pode considerar determinado hábito indispensável.
Até passar algum tempo em um ambiente onde ninguém funciona daquele modo.
Nesse sentido, conhecer outras realidades pode aumentar não apenas informação.
Pode aumentar liberdade.
Sair da rotina também nos obriga a olhar para nós mesmos
A viagem não provoca apenas reflexões sobre empresas ou mercados.
Ela também pode modificar a percepção sobre identidade.
Ao sair de seu ambiente habitual, uma pessoa deixa temporariamente para trás muitas referências usadas diariamente para explicar quem é.
Em uma cidade onde ninguém a conhece, pouco importa seu cargo.
Seu patrimônio.
A empresa que construiu.
Sua reputação profissional.
As pessoas ao redor não conhecem necessariamente suas conquistas.
Para Edson José Bandeira Braga Filho, existe algo libertador nesse anonimato.
A experiência pode trazer uma pergunta difícil:
Quem somos quando retiramos tudo aquilo que normalmente utilizamos para explicar quem somos?
Às vezes viajamos para encontrar partes de nós mesmos
Determinadas viagens permanecem na memória não apenas pelos lugares visitados.
Elas marcam porque algo muda em quem viajou.
Uma preocupação pode perder importância.
Uma prioridade pode ser revista.
Uma relação com o trabalho pode mudar.
Uma pergunta antiga pode reaparecer.
Para Edson Braga, existe um paradoxo nessa experiência.
A pessoa imagina que está conhecendo o mundo.
Mas, em muitos momentos, também está conhecendo partes de si mesma que dificilmente apareceriam dentro da rotina habitual.
Percorrer muitos quilômetros não garante transformação
Sair fisicamente de um lugar, porém, não é suficiente.
É possível visitar dezenas de países e continuar interpretando tudo exatamente da mesma maneira.
Carregar as mesmas certezas.
Os mesmos preconceitos.
Os mesmos julgamentos.
As mesmas respostas.
Para Edson José Bandeira Braga Filho, distância por si só não transforma.
A transformação depende da disposição para permitir que aquilo que foi encontrado produza questionamentos.
Viajar verdadeiramente exige presença.
Observar.
Escutar.
Perguntar.
Comparar.
Estranhar.
Admirar.
E conservar humildade suficiente para reconhecer:
“Talvez exista alguma coisa aqui que eu ainda não tenha entendido.”
Nem toda viagem precisa envolver um aeroporto
A reflexão de Edson Braga também amplia o próprio significado de viajar.
Existem viagens físicas.
Mas também existem deslocamentos intelectuais e emocionais.
Às vezes, o lugar que ficou pequeno não é uma cidade.
É uma ideia.
Uma rotina.
Uma relação com o trabalho.
Uma maneira de liderar.
Uma crença sobre dinheiro.
Um medo.
Uma convicção antiga.
Até mesmo uma determinada versão de nós mesmos.
Viajar, nesse sentido, também pode significar sentar-se à mesa com alguém que pensa de maneira completamente diferente.
Ler aquilo que normalmente não seria escolhido.
Frequentar ambientes onde não somos os mais experientes.
Voltar a ser aprendiz.
Voltar a ser aprendiz pode ser uma vantagem para quem lidera
Quanto mais experiência uma pessoa acumula, maior tende a ser o número de situações que acredita já conhecer.
Isso oferece velocidade.
Mas também pode criar excesso de confiança.
Para Edson José Bandeira Braga Filho, colocar-se voluntariamente em ambientes nos quais ainda existe muito para aprender ajuda a preservar algo fundamental: curiosidade.
O líder que ainda pergunta consegue perceber mudanças.
O líder que acredita já possuir todas as respostas começa a depender excessivamente do passado.
Por isso, manter contato com pessoas, culturas, mercados e ideias diferentes não é apenas uma questão de desenvolvimento pessoal.
Também pode ser uma competência de liderança.
Quantas escolhas foram realmente nossas?
Existe ainda uma pergunta mais profunda.
Quantas decisões que consideramos pessoais foram realmente escolhas conscientes?
E quantas simplesmente reproduziram o ambiente no qual permanecemos durante muitos anos?
Escolhemos determinada maneira de trabalhar porque acreditamos nela?
Ou porque nunca conhecemos outra?
Pensamos determinado caminho para nossa vida?
Ou apenas herdamos expectativas?
Tomamos determinadas decisões?
Ou simplesmente seguimos padrões?
Para Edson Braga, sair do lugar permite observar a própria vida com alguma distância.
Não para rejeitar tudo aquilo que foi construído.
Mas para descobrir o que realmente continua fazendo sentido.
Raízes devem sustentar, não impedir crescimento
Sair também não significa abandonar origem.
Para Edson José Bandeira Braga Filho, conhecer outros lugares e outras maneiras de viver não exige rejeitar as próprias raízes.
O objetivo pode ser justamente retornar com uma compreensão maior daquilo que merece permanecer.
Alguns valores se fortalecem depois do confronto com outras realidades.
Outras certezas precisam ser revistas.
O importante é que raízes ofereçam sustentação sem se transformar em impedimento ao crescimento.
Nunca é tarde para mudar o lugar de onde olhamos
Uma das características mais importantes dessa reflexão é a relação entre tempo e possibilidade.
Edson Braga reconhece ter demorado para compreender determinadas dimensões da viagem e da mudança de perspectiva.
Mas considera que consciência mantém aberta a possibilidade de movimento.
Nunca é tarde para conhecer um lugar diferente.
Conversar com alguém novo.
Entrar em outro ambiente.
Ler uma ideia que confronte convicções antigas.
Mudar de opinião.
Recomeçar.
Ou simplesmente reconhecer que determinado lugar físico, profissional, mental ou emocional ficou pequeno para aquilo que uma pessoa está se tornando.
A maior viagem pode ser medida pela diferença entre quem foi e quem voltou
Viajar pode produzir fotografias.
Histórias.
Carimbos no passaporte.
Memórias.
Mas, para Edson José Bandeira Braga Filho, talvez exista uma medida mais importante.
A distância entre a pessoa que saiu e aquela que retornou.
Uma viagem significativa pode ampliar consciência.
Reduzir arrogâncias.
Relativizar certezas.
Aumentar perguntas.
Recuperar curiosidade.
Mostrar a dimensão do mundo e, ao mesmo tempo, diminuir a importância de determinadas preocupações que antes pareciam enormes.
Nesse sentido, viajar deixa de ser apenas recompensa depois do trabalho.
Também passa a fazer parte do trabalho de construir quem alguém está se tornando.
Como pessoa.
Como empresário.
Como líder.
Como ser humano.
De qual lugar precisamos sair?
No final, para Edson Braga, talvez a pergunta mais importante não seja apenas qual será o próximo destino.
Pode ser:
“De qual lugar físico, mental ou emocional preciso sair para conseguir enxergar aquilo que, permanecendo onde estou, jamais conseguirei ver?”
Existem lugares que conhecemos atravessando quilômetros.
Outros exigem apenas uma mudança de perspectiva.
Algumas viagens mostram cidades.
Outras desmontam certezas.
E existem aquelas que fazem as duas coisas.
Talvez seja justamente por isso que sair do lugar possui tanto valor.
Porque o mundo não muda necessariamente quando viajamos.
Mas o ponto de onde passamos a observá-lo pode mudar completamente.
E, algumas vezes, basta mudar o lugar de onde olhamos para descobrir que aquilo que tratávamos como certeza era apenas uma das muitas possibilidades disponíveis.